Em 1808, nascia a imprensa brasileira

Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça (1774-1823)

Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça (1774-1823)

A nossa imprensa escrita completa, hoje, 208 anos. No dia 1º de junho de 1808, circulou, em português, na Inglaterra, o primeiro número do Correio Braziliense (1808-1822), fundado pelo gaúcho Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça (1774-1823). Patrono da imprensa brasileira, ele nasceu em Colônia do Sacramento, no Uruguai, em 25 de março de 1774, quando esta estava sob o domínio português. Quando a cidade passou ao domínio espanhol, em 1777, sua família veio para a região de Pelotas. Aos 18 anos, partiu para Portugal, onde se formou em Direito e em Filosofia, e prestou serviços diplomáticos à Coroa. Acusado de pertencer à maçonaria, ao retornar da Inglaterra, em 1802, foi preso, em Portugal, e entregue à Santa Inquisição.

Interrogado, sofreu maus-tratos. Porém, não revelou nenhum nome ligado à Ordem Maçônica. O objetivo da Igreja era confiscar os bens dos chamados hereges e esconjurar suas famílias. Em fuga espetacular, com o auxílio de irmãos maçônicos, em 1805, voltou a Londres. Na liberal Inglaterra, ele viveu por 18 anos e casou-se, em 1817, com Mary Ann Troughton. Tiveram três filhos. Preocupado com a corrupção e a forma como o Brasil era administrado por Portugal, Hipólito José da Costa criou o Correio Braziliense, que se constituiu numa tribuna em prol da liberdade de pensamento e da divulgação dos principais acontecimentos que ocorriam na Europa e no Brasil. Este mensário totalizou 175 edições, agrupadas em 29 volumes.

O reconhecimento como primeiro jornal brasileiro efetivou-se com uma lei de 1999. Antes, comemorava-se o dia 10 de setembro, quando começou a circular, em 1808, no Brasil, a Gazeta do Rio de Janeiro, órgão oficial do governo português. As atuações da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), da Fundação Assis Chateaubriand, do historiador Cláudio Moreira Bento e do jornalista Raul Quevedo (1926-2009) foram fundamentais para que fosse alterada a data alusiva ao Dia da Imprensa. Com circulação clandestina no Brasil e em Portugal, devido à Censura Régia, o jornal foi responsável pela difusão dos ideais que nortearam a Independência do Brasil (1822). Hipólito José da Costa faz parte da Galeria dos Heróis Nacionais. Faleceu no dia 11 de setembro de 1823, em Londres, onde se encontrava asilado. Seus restos mortais, desde 2001, jazem em Brasília, no jardim do Museu da Imprensa Nacional.

Colaborou Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite, pesquisador e coordenador do setor de imprensa do Museu da Comunicação.

Fonte: Almanaque Gaúcho (01-06-16)

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