P E S C A, LAZER SAUDÁVEL, POTENCIAL TURÍSTICO E ECONÔMICO

Mário NishikawaAlta Floresta e região de entorno tem grande potencial turístico com a pesca esportiva, podendo atrair muitos pescadores do país e até do exterior devido a rica e atraente diversidade de espécies. Para nós, pescadores  mato-grossenses de finais de semana,   uma saudável  e excelente opção de lazer , aliviando as tensões da nossa rotina estressante de trabalho. Mas estamos perdendo essa riqueza,  a piscosidade dos nossos rios  está sendo  dizimada  por vários motivos:

  1. A garimpagem de ouro nos  nossos rios destroi   as “locas” ,  que são as moradas dos peixes de fundo,  os “arrotos” ( cascalhos ou pedras)  assoreiam  e  obstruem   os  canais navegáveis, impedindo até a passagem de pequenos barcos de pesca, destruindo flora e fauna aquáticas, contribuindo para acabar com os peixes;
  2. A ação predatória  dos pescadores  amadores locais ou  de outros estados, matando todos os peixes tanto os de medida adequada quanto os pequeninos;
  3. A  pesca predatória dos pescadores profissionais que colocam milhares de anzóis em múltiplos espinhéis  com as extremidades das cordas mestras  bem escondidas com sacos de areia afundados no rio,  dificultando sua identificação;  além do uso criminoso de redes  e tarrafas  de malhas finas capturando  indiscriminadamente  até “filhotes”  de peixes;
  4. A  ineficiência,  a falta de fiscalização dos órgãos competentes  e, consequentemente, falta de punição aos transgressores ;
  5. A péssima qualidade dos trabalhos de recuperação e conservação de nossas estradas, das vicinais e rodovias , permitindo absurdas erosões, atoleiros e assoreamento de nossos córregos e rios.

Não podemos permanecer omissos  simplesmente  assistindo as cenas de destruição. Embora com atraso  –  o tempo passado  é tempo  já perdido  –  precisamos, governo e sociedade, tomar providências urgentes.

  1. 1.    Proibir definitivamente a garimpagem  nos rios.  Se pequenos agricultores familiares são penalizados, multados  pelos órgãos  fiscalizadores   por  “danos ambientais” pela atividade produtiva  de sobrevivência,  como é possível aceitar  com naturalidade e passividade  tamanha  destruição dos nossos  rios  pelo  garimpo,  agravado  com poluição de metais pesados (mercúrio) tão danosa  à nossa  saúde?
  2. 2.    Proibir definitivamente  o atual modelo de  pesca profissional nos rios. Em contrapartida, os pescadores profissionais teriam  a piscicultura, opção  muito melhor e sustentável.  Eles precisariam de  pequena propriedade rural, de tanques (açudes),  alevinos, ração, orientação e assistência técnica, financiamento.  Ou  pesquisar viabilidade da  aquicultura  em   “tanques/redes”  nos rios,   nos seus  paranás,   nas lagoas,  e represas das barragens de hidrelétricas, não necessitando de terras.   É muita coisa?   Não é.  Desde que a sociedade civil   ( associações de produtores,  cooperativas, sindicatos, federações, clubes de serviços,  igrejas, entidades organizadas)  cobre e exija dos órgãos  públicos competentes   como  Ministério da Agricultura, Ministério da Pesca e Aquicultura  e outros afins. Se existe o tão divulgado  PRONAF  (Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar),  será muito viável  admitir  o  pescador profissional  como concessionário do Programa Nacional de Reforma Agrária.  E para que existe o Ministério da Pesca e Aquicultura?  E os órgãos federais e estaduais de fomento às atividades produtivas?   Vamos ter que cobrar deles ações, sim!
  3. 3.    Justificam-se estas cobranças   considerando não só os pescadores profissionais  mas  a inclusão de todos os interessados , principalmente os pequenos agricultores, proprietários de chácaras e sítios   na  atividade de piscicultura, uma importantíssima opção   para melhorar  renda  e qualidade de vida.  A produção em grande escala viabilizará contratos de exportação, agregação de valores com filés embalados, industrialização do couro, fabricação de rações etc.   Como as mobilizações trilham caminhos políticos, esses órgãos públicos serão acionados através de nossos vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governador, e bancada federal do nosso estado (deputados federais e senadores).  Não são  mega-obras,  são ações de pequenos custos e de  enormes  benefícios socioeconômicos,  são perfeitamente viáveis  devido ao retorno financeiro (melhor e mais rápido do que o da pecuária), com baixíssimas  possibilidades de inadimplência  aos bancos  oficiais  credores.
  4. 4.    Divulgar  massivamente  campanhas  de conscientização aos moradores da região visando preservação das águas, dos peixes, do meio ambiente.  Dar continuidade e reforço ao bom Projeto Olhos D´Água da Amazônia (da administração municipal anterior), plantio consorciado agropecuário/florestal, ampliar e universalizar o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA),  ICMS Ecológico, etc.    Promover campanhas de repovoamento de diversas espécies de peixes nos nossos rios.
  5. 5.    Exigir dos órgãos oficiais competentes fiscalização e punição dos pescadores infratores e dos criminosos ambientais.
  6. 6.    Tornar obrigatória aos proprietários rurais, às prefeituras e aos governos estadual e federal a execução de terraceamentos adequados com caixas de retenção das enxurradas, tanto em estradas de terra quanto nas margens de asfalto.
  7. 7.    A população deseja  e tem a certeza de que estas ações de cobrança   serão  coordenadas  pelo CDIVAT (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico e Social do Vale do  Teles Pires), devido ao fato de cada prefeito em seu município ter informações de propriedades rurais, atividades produtivas, comerciais e econômicas, equipe de funcionários qualificados, secretários, assessoria jurídica, assessoria da Associação Mato-grossense de Municípios ( que tem uma Central de Projetos muito respeitada no país),  acessos políticos,  toda   estrutura adequada  para  este tipo de mobilização.  O Consórcio Intermunicipal  (CDIVAT) tem a oportunidade de comprovar eficiência  e  magnitude da sua   importância.
  8. 8.    Será oportuno e elogiável  que as prefeituras se organizem, planejem, façam projetos, parcerias,  convênios  e  cobranças aos órgãos oficiais competentes objetivando melhorar, inovar e diversificar  impulsionando outras atividades produtivas e econômicas na região para não ficarmos dependentes da construção de usinas hidrelétricas com fugazes  surtos de otimismo e crescimento  sem sustentabilidade .

Alta Floresta, 20 de novembro de 2013

Mario Nishikawa

RG 714471-1/SSP-MT

Médico e pecuarista, associado do Rotary, ex-presidente da Comissão Pró-Hidrovia Teles Pires/Juruena/Tapajós da Família Rotária de Alta Floresta.

E-mail:   mario@hg2121.com           Tel cel. (66)8127-9250,  9996-1212.

Comentários