Juíza vê cenário caótico e afirma que Silval e demais réus são perigosos

Juíza da 7ª Vara Selma Arruda descreve Silval e outros réus como altamente perigosos à sociedade

Juíza da 7ª Vara Selma Arruda descreve Silval e outros réus como altamente perigosos à sociedade

Camila Cervantes e Eduarda Fernandes

Gilberto Leite/Rdnews

A juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, diz que com análise dos depoimentos prestados na deflagração da Operação Sodoma 2, ficou clara a necessidade de decretar a prisão preventiva do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), do ex-chefe de gabinete Silvio Correa, do ex-secretário-adjunto de Administração José de Jesus Nunes Cordeiro e do ex-secretário da SAD Pedro Elias, na terceira fase da operação. No despacho, a magistrada ressalta que devido à descoberta de novas ocorrências, Silval é novamente apontado como líder da organização criminosa. A juíza destaca que Silvio e José Cordeiro eram considerados membros importantes para o ex-governador, no esquema.

Segundo Selma, na ação que tramita na 7ª Vara em que procura descortinar a aquisição fraudulenta, por parte do Governo, de uma área rural no valor de R$ 9 milhões, em benefícios de terceiros, envolvendo Silval, seus secretários e comparsas, o Ministério Público Estadual aponta que houve pagamento de altas somas de propina, destinadas aos membros da organização, cuja chefia é atribuída a Silval. Neste sentido, reforça que com base nos depoimentos juntados aos autos constatou que se trata de pessoas periculosas, as quais não têm condições de permanecer no convívio social normal, sem que isso represente ameaça à ordem pública.

“O caso presente revela a existência de um quadro caótico, protagonizado por uma organização criminosa especializada em praticar assaltos aos cofres públicos, que agiu anos a fio nos meandros do poder neste Estado, como verdadeira parasita, um monstro que se alimentava do dinheiro público, enfraquecendo a estrutura estatal em benefício da fartura arrecadada para seus próprios bolsos”, diz trecho da decisão. Conforme a magistrada, devido aos indícios, a situação é mais do que alarmante, tendo em vista que “trata-se de assombrosa e intrincada teia de delitos, que envolvem tanto particulares como agentes públicos, ora agindo em favor de uns, ora de outros, sempre em detrimento dos interesses da administração pública. Tais crimes, praticados pela perigosíssima organização, sempre visavam altas quantias, sugadas descaradamente do erário”, completa.

Ainda de acordo com a juíza, a empresa Consignum, de propriedade de Willians Mischur, também preso nesta operação, contribuiu no desvio de fortuna, uma vez que os pagamentos nunca eram menores que R$ 500 mil, além de outras empresas, sempre em percentuais variáveis conforme cada faturamento. Para ela, esta circunstância revela a gravidade concreta do delito, bem como a extensão do dano causado ao erário público, e consequentemente aos cidadãos mato-grossenses. “A demonstração dessa gravidade concreta é suficiente para a decretação das prisões preventivas”, conclui.

Sodoma 1 – A Operação Sodoma 1 foi deflagrada em 15 de setembro do ano passado pela Defaz. Na ocasião, foram presos ex-governador Silval Barbosa (PMDB), e os ex-secretários da Casa Civil Pedro Nadaf e da Fazenda Marcel de Cursi. Eles são suspeitos de fraudes no sistema de incentivos fiscais do Estado, além de também terem cobrado propina do empresário João Batista, delator do esquema. O dinheiro seria usado para pagar dívidas de campanha. Silval teve a prisão revogada nessa operação devido ao fim da fase de instrução processual.

Sodoma 2 – Na Operação Sodoma 2 foram cumpridos mandados de prisão contra Nadaf, Marcel, Zílio, Willians e Karla Cecília de Oliveira Cintra, assessora direta de Pedro Nadaf, que na primeira fase da operação teve medida cautelar decretada para uso de tornozeleira eletrônica.

Sodoma 3 – A terceira fase da Operação Sodoma foi deflagrada pela Defaz, no último dia 22, e investiga suposto pagamento de propina de empresas que tinham contratos com Governo. Na ocasião, foram expedidos mandados de prisão para Silval, seu ex-chefe de Gabinete Silvio Correa, o ex-secretários de Administração Pedro Elias e Cesar Zílio. Zílio, Mischur e Karla tiveram as prisões revogadas pela 7ª Vara Criminal. Willians se tornou delator.

Rdnews.com.br (30-03-16)

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