15 de outubro de 2019

MT lidera degradação e é 3º no ranking do desmatamento

Em agosto deste ano, Mato Grosso ocupou a terceira colocação no ranking do desmatamento na Amazônia Legal. De acordo com o boletim do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgado ontem (19), no mês passado, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) detectou 886 quilômetros quadrados de destruição do bioma, um aumento de 63% em relação a agosto de 2018, quando o desmatamento somou 545 quilômetros quadrados.

Segundo o Imazon, no mesmo mês passado, a devastação ocorreu no Pará (48%), Amazonas (15%), Rondônia (13%), Mato Grosso (12%), Acre (11%) e Roraima (1%). Só no Estado, foram 109 quilômetros quadrados (Km2) desflorestados, uma redução de 2% se comparado ao mesmo período do ano passado, quando foram destruídos 111Km2 no território mato-grossense. No Pará, foram 423Km2, no Amazonas 131Km2 e em Rondônia 115Km2.

Já as florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 922 quilômetros quadrados em agosto de 2019, enquanto que em agosto de 2018 a degradação florestal detectada totalizou 119 quilômetros quadrados, um aumento de 675%. Em agosto de 2019, a degradação foi detectada no Mato Grosso (45%), Pará (42%), Rondônia (8%), Amazonas (4%) e Acre (1%).

Neste caso, a área degradada no Estado teve um aumento de 298%, saltando de 105 quilômetros quadrados, em agosto de 2018, para 418Km2 durante o mês passado. Já no Pará foram 388Km2, um aumento de 3.133% no mesmo período de 30 dias, e, em Rondônia, 72Km2 (3.500%). A diferença entre a área considerada desmatada e a degradada é que, no primeiro caso, ocorre a destruição total da floresta, enquanto no segundo caso, ela é comprometida parcialmente. As causas podem ser diversas, entre elas, a exploração madeireira e queimadas.

O Imazon aponta ainda que a maioria (48%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. O restante da derrubada foi registrado em assentamento (23%), unidades de conservação (20%) e terras indígenas (9%). Em Mato Grosso, Colniza (1.065 quilômetros de Cuiabá) aparece entre os municípios considerados críticos, com 28Km2 derrubados. Na reserva extrativista Guariba-Roosevelt (Resex), localizada entre os municípios de Aripuanã e Colniza, foram outros 10Km2 atingidos. Já as áreas indígenas “Sete de Setembro” e Urubu Branco, responderam por um quilômetro quadrado, cada.

Vale lembrar que nesta semana, o governo de Mato Grosso informou que o Estado receberá R$ 23,8 milhões para o combate as queimadas e o desmatamento ilegal. O dinheiro, que deve chegar nos próximos dias, é originário do Fundo da Lava Jato e foi acordado entre o Governo Federal, Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal (STF). A divisão do recurso foi firmada em reunião realizada via videoconferência com os governadores da Amazônia Legal e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O recurso chegará em um momento crítico uma vez que Mato Grosso é líder nos focos de queimadas, o que fez o governo a decretar situação de emergência. De janeiro deste ano até ontem, o Estado contabilizava 25.552 focos de calor, o que representa um aumento de 74% em relação ao mesmo espaço de tempo de 2018.

Já nos dias 20 a 23 deste mês, o governador Mauro Mendes irá apresentar os avanços do Estado no setor do meio ambiente, durante a Semana do Clima em Nova York, nos Estados Unidos. A participação é considerada fundamental para a imagem do estado, especialmente, neste momento atual em que se discute o aumento no desmatamento na floresta Amazônica e as queimadas. “Vamos demonstrar para o mundo, para os investidores, para os parceiros comerciais e também para as autoridades públicas que Mato Grosso é o lugar do planeta que mais se produz alimento, preservando 63% do seu território”, disse Mendes em entrevista recente à imprensa.

O governador também irá apresentar os trabalhos que foram realizados e estão em andamento no Estado, ligados ao programa PCI – Produzir, Conservar e Incluir. Durante o evento internacional, as palestras e debates que o governador irá participar terão como público empresários, ministros, apoiadores e doadores bilaterais e multilaterais, instituições financeiras, cientistas líderes, sociedade civil, mídia e entidades ligadas ao meio ambiente. Todos formadores de opinião ou financiadores de projetos em prol do meio ambiente.

REDE CRIMINOSA – O relatório “Máfias do Ipê: Como a Violência e a Impunidade Agravam o Desmatamento na Amazônia Brasileira”, divulgado na terça-feira, pela organização não governamental (Ong) Humans Rights Watch (HRW), aponta que o desmatamento da Amazônia segue uma lógica criminosa que envolve milícias, assassinatos, ameaças e corrupção. “O desmatamento ilegal na Amazônia brasileira é tocado basicamente por redes criminosas que têm a capacidade logística para coordenar extração, processamento e venda de madeira em larga escala, ao mesmo tempo que usam homens armados para proteger seus interesses”, diz o documento.

Um dos principais fatores que possibilita a ação das redes criminosas na região é, segundo o relatório, a falta de apuração das mortes e ameaças. Dos mais de 300 assassinatos ligados a conflitos fundiários registrados na região pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), desde 2009, apenas 14 foram julgados. Um dos casos ocorreu em Mato Grosso, em 2017, quando nove camponeses foram mortas na área denominada Taquaruçu do Norte, na região de Colniza (1.065 quilômetros de distância de Cuiabá). Para elaboração do documento, a HRW analisou em profundidade 28 casos ocorridos depois de 2015.

O nome “máfias do Ipê” é dado por policiais, fiscais e promotores que tentam controlar a devastação na região. O Ipê, com suas flores roxas, rosas, amarelas e brancas, se destaca no meio da floresta e é o principal alvo dos que promovem a derrubada. Apenas um tronco da sua madeira resistente, segundo o relatório, pode chegar a R$ 6 mil. Para chegar à madeira nobre da região, desmatadores invadem assentamentos e terras indígenas, expulsam pequenos produtores, ameaçam e matam, de acordo com a HRW.

Fonte: Diário de Cuiabá (21-09-19)

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