19 de agosto de 2019

É um ataque a professores das federais, diz sindicalista, líder dos docentes da UF

O diretor geral da associação dos professores da UFMT, a Adufmat, Aldi Nestor de Souza, afirma que o cenário de crise das universidades, principalmente após o contingenciamento de R$ 34 milhões e corte de energia elétrica, é reflexo “do extremo ataque aos trabalhadores”. Para ele, não há projetos ou reformas que visem à melhoria de vida desse grupo e isto respinga nas faculdades. “É um cenário que cria para a universidade como um lugar que deve ser extirpado ou acabado”, comenta ao RD News.

O diretor-geral cita a Reforma Trabalhista, o congelamento dos investimentos em serviços públicos por 20 anos, a Reforma da Previdência e os cortes das universidades e afirma que tudo isto “empobreceu os trabalhadores”. “Não trouxe os empregos que prometiam. É um cenário de ataque de direitos aos trabalhadores e que a universidade é só mais um lugar que isso está se manifestando”, acrescenta.

“As universidades estão sem condições de funcionar por questões de dinheiro”

Aldi aponta que não sabe se a UFMT vai funcionar em setembro e que a instituição vive “cenário de incerteza total”. “As universidades estão sem condições de funcionar por questões de dinheiro”. A falta de recursos não impacta somente a energia elétrica, mas também outros compromissos (como água e internet) e salários de terceirizados que, inclusive, estão sem receber desde o mês passado e já discutem possibilidade de greve.

E, no meio disso tudo, o diretor da Adufmat conta que aparece o projeto Future-se, apresentado pelo ministro da educação Abraham Weintraub, e que abre a possibilidade de aumentar a verba da iniciativa privada das universidades. Ele reiterou a fala da reitora Myrian Serra de que a UFMT não foi convidada para participar da construção do projeto. Contou que departamento jurídico do sindicato estuda o projeto, pois ele interfere em 16 leis que regem sobre o funcionamento das faculdades públicas no país.

Segundo Aldi, a linha de atuação do sindicato “é de exigir o cumprimento do orçamento e que os cortes sejam revertidos”. “Isso trava o funcionamento da universidade”, explica. Ele considerou que o contingenciamento e o corte de energia elétrica são “criminosos com a instituição da educação”.

Após deliberações sindicais, Aldi conta que a Adufmat vai percorrer todos os campi da UFMT para conversar com alunos, técnicos e servidores para discutir o programa Future-se e seus impactos. Ainda não há possibilidade de greve, segundo o diretor, já que “isso não foi deliberado em nenhuma instância”. Uma ação mais concreta deve acontecer na terça do dia 13 de agosto em que, todas as universidades do país, irão paralisar suas atividades por um dia em defesa a educação.

Fonte: RD NEWS (03-08-19)

Comentários